História da Ilha do Marduque

O conteúdo abaixo resgata da História da Escola de Samba Unidos da Ilha do Marduque

Autor: Prof. Daniel Fanti 

" A Ilha do Marduque é Fruto da Semente que a Velha Guarda Plantou..."
FUNDAÇÃO: 13 de Janeiro de 1977

Pavilhão Azul e Branco

                                                          
No início dos anos 70 a nova entrada para Ponte Internacional prolongou a BR 290, isolando, por uma cerca, o bairro Norte da cidade. A população satirizando o bairro,  deu-lhe o nome de Ilha do Marduque, em alusão ao personagem de uma novela de rádio "O EGÍPCIO", que a rádio Charrua apresentava com muito sucesso.

Em 13 de janeiro de 1977, um grupo de amigos ligados ao futebol varzeano, resolvem fundar uma agremiação carnavalesca para brincar no carnaval. Formaram uma diretoria, assim constituída:

 

Presidente             - JESUS MACIEL

Vice- Presidente    - Ivo Maciel

1º Secretário         - João Antonio Sommer

2º Secretário         - Damião Vanderlei Maidana

1º Tesoureiro         - Ecir Nunes da Silva

2º Tesoureiro        - Rosalino Bueno Fructos.

Para a agremiação carnavalesca, foi lhe escolhido o nome de ESCOLA DE SAMBA UNIDOS DA ILHA DO MARDUQUE, primeira denominação do bairro, que seria mais tarde oficializado pelo poder Legislativo como bairro MASCARENHAS DE MORAIS, em homenagem ao Marechal Comandante das Forças Expedicionárias na 2ª Guerra Mundial.

Sem infra-estrutura e com dificuldades essa escola, à principio, se apresentou na Avenida do Samba, sem um enredo propriamente dito, com fantasias simples e variadas, alas em confecção de estopa, uma vaca alegórica feita de saco de aniagem, com dois homens dentro dando-lhe movimento, girando de um  lado e outro da Avenida, aterrorizando as criancinhas; no meio daquela pantomima carnavalesca, outras alegorias bizarras se apresentavam, como: avestruzes  e cavalinhos inseridas no próprio corpo dos foliões e uma bateria com poucos instrumentos. Em vista disso, ficou conhecida, não como uma escola de samba, mas como o Bloco da Vaca. A Escola foi crescendo aos poucos com o apoio e integração dos moradores do próprio bairro. Tinha sua primeira sede num chalé de madeira em terreno alugado, na travessa 15, onde realizavam, no dias de carnaval, bailes infantis com som mecânico. Teve sua escola mirim que atuou de 1981 a  1983 sob a presidência de Elder Câncio da Silva. (o Bola ).


1977 a 1982

No segundo grupo

PRESIDENTES E FATOS SIGNIFICATIVOS:

JOÃO VEIGA  Presidente de 1979 a 1980

Vice João Duarte da Costa

Em 1978, foi registrado o Estatuto da Escola, organizado pelo carnavalesco Sidnei Alves Martins. Os ensaios são realizados no meio da rua Borges de Medeiros, entre Av. da Cunha e rua dos Andradas. A escola obtém o 8º lugar com o enredo” RIQUEZAS DO BRASIL “

Enredo e Samba-Enredo de Nelson Ibarra.


1980 a 1982

NAIRO RIBEIRO DA SILVA              : Presidente

Rosalino Buenos Fructos                  :Vice-Presidente

Vitória significativa em 1980, a Escola  concorrendo com a Chucha na Zebra, apresentando-se com melhor estrutura e um belíssimo samba-enredo  “Ismália- Inspiração de um Poeta” baseado numa poesia de Afonso Guimarães ; as demais escolas não participaram desse carnaval. Sede de madeira em terreno alugado.  Figurinista Henrique Machado Azambuja. Enredo e samba-enredo de Nelson Ibarra. Classificação 2º Lugar.

Em 1981, se apresenta na Avenida com o enredo “NOSSO CAFÉ “ contando a história da cultura do café no Brasil- Samba-Enredo de  Renato Anadir Camargo. Durante uns 16 anos houve uma forte concorrência entre os dois primeiros compositores da Ilha, Nelsinho Ibarra e  Anadir Renato Camargo, cujas vitórias ou derrotas do concurso, dividiam os moradores do bairro em acirradas torcidas organizadas. Classificação 7º Lugar.

Em 1982, apresenta-se com o enredo “OS DEUSES E A OITAVA MARAVILHA “  mostrando os deuses gregos e a oitava maravilha- a mulata. Samba-Enredo de Anadir Renato  Camargo. O chalé de madeira que servia de sede, é vendido.


1982 a 1983

2º e 1º Grupo

CLAUDEMAR CÂNCIO RODRIGUES  : Presidente de 1982 a 1983

Vice - Francisco Renato Rodrigues

 

Esta nova diretoria se impõe e assume a direção da Escola trazendo propostas novas. Recebeu da Diretoria anterior um livro de atas e meia dúzia de instrumentos. Fazendo promoções durante o ano consegui comprar instrumentos e mandar fazer bumbos pelo Sr. Elder Lobo. Quando chegou o carnaval a Escola já tinha instrumentos para quase 50 bateristas. Preparando-se para o carnaval iniciou comprando galões de tintas, colas, pregos e madeira que foram estocadas. Os ensaios passam a ser na rua Conde de Porto Alegre, frente empresa de Dagoberto Cezimba, em vista de atrair o público que receava entrar no bairro. Em 1983, concorre com o enredo “DA MAGIA DE UMA NOVELA AO PSEUDÕNIMO ILHA DO MARDUQUE “contando a origem do nome Marduque e personagens da novela de rádio “O Egípcio “ conquista seu 1º campeonato no grupo 2, passando para o Grupo 1- Senhor Fernando Silva, “Funcho” e Zico Silva, simpatizantes de Os Rouxinóis descontentes com a rivalidade entre a Cova da Onça e Os Rouxinóis, quando uma perde o carnaval, não comparece no próximo no carnaval. Deslumbram-se com a apresentação da Marduque, visionando uma terceira concorrente para quebrar a hegemonia  da Cova e Os Rouxinóis.  Naquela noite, em plena Avenida, Fernando Silva, gerente da boate Kokeiros, promete dali para frente  ajudar a Ilha do Marduque, inserindo no próximo carnaval as mais belas mulheres de sua boate patrocinando também as riquíssimas fantasias. Ganha concurso de fantasia, em originalidade “A Feiticeira da Ilha Negra “ Srta. Nara Margarete Azambuja- Concurso realizado no Ginásio de Esporte do Colégio Santana. Mais tarde na coluna social de Zeni Calvello, classificava a Ilha do Marduque de a escola das mulheres bonitas. D. Mary Barcellos Fanti organiza a ala de baianas, tornando-se a 1ª Diretora, conduzindo-a até  o ano de 2000. Nos primeiros tempos os carros alégóricos eram confeccionados nos pátios de particulares ou até mesmo no meio da rua. Nesse ano de 1983, a equipe dos carros alegóricos, trabalhou tranqüila num galpão fechado de propriedade do Sr. Pedro Panzieira, no final da rua João Manoel, próximo a BR-290. Enredo de Daniel Fanti. Alegorista Daniel Fanti. Figurinista Henrique Machado Azambuja.   Samba-enredo de  Anadir Renato Camargo, o Ego


1983 a 1985

CLAUDEMAR  CÃNCIO RODRIGUES- Presidente

Francisco Renato Rodrigues - Vice

Daniel Fanti - Vice

1984- Ilha do Marduque desponta magistralmente no 1º grupo, concorrendo com as grandes escolas. Apresenta o luxuoso e criativo enredo “OS LOUCOS ANOS 20”. Este enredo focalizava a revolução dos costumes, trazendo as melindrosas e os almofadinhas, o Ford de Bigode, o gramofone, a dança do maxixe, os teatros de revista, o auge do cinema mudo e a modernização da mulher. Sr. Fernando Silva, lança a bailarina de sua boate Kokeiros, a escultural e sensual catarinense Jane Silva,  pseudônimo de Pináh, com a fantasia “A Liberação da Mulher”, nua sob uma malha transparente e de cabeça raspada, sendo um marco no carnaval de Uruguaiana, pela ousadia de mostrar a nudez publicamente, nunca antes mostrada. Chocou a platéia e gerou polêmicas na opinião pública e na imprensa. Por esse pioneirismo a Ilha do Marduque passou a ser imitada pelas demais escolas. Os carros foram confeccionados por um que se dizia profissional, num galpão de sua propriedade na rua Bento Gonçalves, com a supervisão de alegorias de Daniel Fanti. No entanto, todos  carros, quebraram nas 4 quadras seguintes, na primeira noite ao sair do galpão. As fantasias de destaque e a Pináh desfilaram a pé, mostrando “a garra “ da corporação. A torcida da Chucha na Zebra vaia o desfile da Escola, gritando que não tinha carro coisa nenhuma. Um casal ensaiava passos do charleston, dança dos anos 20, a torcida concorrente vaia, por pura ignorância.Ganha o lº lugar em fantasia de originalidade- “Jupper Culote “ com a Srta. Isabel dos Santos no Ginásio de Esportes do Colégio Santana. Os carros foram confeccionados num pequeno galpão na rua Bento Gonçalves, de propriedade do contratado.Enredo de Daniel Fanti com a supervisão das alegorias. Samba –Enredo de  Jurandir de Abreu, Sergio Matias de Abreu (Palhaço )e .Gelso Oliveira (Gote)  Classificação 4º lugar.

1985- Se apresenta magnificamente com o enredo  A LENDA DO URU-AAY- O RIO DOS PÁSSAROS. Mostrava a lenda indígena do nascimento do rio Uruguai criada pelos aborígenes do Rio Grande do Sul. Repetiu o sucesso com a Pináh, de cabeça raspada, para a alegria dos homens e o escárnio das mulheres. Desfilou com esplendor sobre a cabeça do Diabo (Carro alegórico) com a fantasia “A Tentação de Satã “, uma nudez estética sem ser pornográfica. Pináh  conquistou o público e foi consagrada. Os ensaios retornam para o bairro, sendo efetuados na rua Gen. Propício esquina 7 de Setembro. Os carros alegóricos foram confeccionados no pátio e do galpão da areeira Schneider. A diretoria consegui subscrições dos senhores Fernando Silva com 2.000,000; Alcides Schneider com 2.000,000 Francisco Napoli com 1.000,000; Fernando Silva 1.250,000 e a Escola completou o restante com 2.250.000 num total de Cr$ 8.500,000  milhões de cruzeiros o valor para a compra dos direitos hereditários do Espólio de Judith Pereira Ibarra e João Antonio Ibarra, de uma casa antiga e terreno na rua Borges de Medeiros, nº 3117. Processo feito pelo Assessor Jurídico Dr. Luiz Alberto Maia de Medeiros, demorando alguns anos para ser homologado pelo Juiz. Ali, foi adaptada para ser a sede da Escola de Samba, investiu-se numa reforma, porém em época de enchentes  a água chegava até um metro do chão, tendo que se levantar os instrumentos da bateria próximo ao teto, por meio de uma plataforma de madeira. Enredo e alegorias por Daniel Fanti. Figurisnita Henrique Machado Azambuja.Samba-Enredo de Chico Alves. Classificação 4º Lugar.


1985 - 1986

Daniel Fanti  -  Presidente

Vice - Moacir de Carvalho Freitas

Vice - Paulo Roberto Pedroso Rodrigues

Vice - Francisco Renato Rodrigues

1986- a Escola comparece a Avenida com o enredo “BRASIL, BRASIL, BRASIL “.Os carros alegóricos são confeccionados fora do bairro, em galpões na rua Joaquim Murtinho, quase frente onde a Cova da Onça tinha seu barracão. Este enredo cheio de brasilidade, mostrava o Rio de Janeiro, a Cinelândia, Cristo Redentor, Pelé camisa 10, Carmem Miranda, o folclórico do Nordeste, o Bumba Meu Boi, o índio e a Amazônia e etc. Apresentou-se pela 1ª vez alegorias laterais com enormes painéis em tripés. No carro Abre-alas, uma cachoeira com água caindo, uma magnifica  escultura de um índio, em movimento, sobre uma vitória-régia, esculpida pelo artista plástico Ubirajara Raffo Constant. Os carros alegóricos foram confeccionados num galpão de arroz, na rua Joaquim Murtinho, próximo onde a Cova da Onça trabalhava em suas alegorias. A nossa equipe somente trabalhava a noite, onde uma condução levava os alegoristas.O  presidente da Cova da Onça, Eurico Guimarães, empresta uma estrutura de carro alegórico, onde se montou o Abre-ala .Por uma ironia do destino a Ilha do Marduque, conquista o significativo 2º lugar, sobre a  consagrada Cova da Onça, a partir daí, a Ilha, começou a ser respeitada como uma forte concorrente  para os próximos carnavais. A ala Bumba Meu Boi foi considerada a melhor ala daquele carnaval. Enredo e alegorias por Daniel Fanti. Figurinista Henrique Machado Azambuja. Samba-Enredo de Nelson Ibarra.


1986 a 1987

COLEGIADO -      

CLAUDEMAR CÃNCIO RODRIGUES

FERNANDO SILVA                       

DANIEL FANTI

1987- Com o enredo “O ADMIRÁVEL MUNDO DOS SONHOS “ a escola traz para a Avenida o mundo onírico, sonhos e pesadelos, um tema surrealista. Contrata a fantasia “Netuno -Rei do Mar “  do concurso de fantasia do Municipal de Porto Alegre para desfilar na Escola; um casal de passista do Rio de Janeiro, em ritmo de gafieira, dançava e distribuía  rosas ao público; Gimba cantor profissional de São Paulo puxa o samba que foi gravado em estúdio naquela capital. Os carros alegóricos foram confeccionados num galpão no bairro Santo Inácio. A Diretoria da Escola contratou um motorista e alugou uma caminhoneta Rural para levar a equipe de trabalho, todos os dias e fins de semana, ao barracão, comprando rancho para alimentação. Os ensaios foram realizados na rua Borges de Medeiros, em frente a sede comprada. Pela primeira vez, na história do carnaval de Uruguaiana,  são contratados jurados de fora de Uruguaiana. Todo o investimento que a Diretoria fez, foi por água abaixo. As grandes escolas “compraram” os jurados uma Escola mandou um comissão esperar no Aeroporto os jurados com ramalhetes de flores, a outra levou-os para jantar em Paso de Los Libres. As Escolas de Samba consagradas usaram de uma ímpia estratégia, era preciso conter o impetuosidade e o entusiasmo da Ilha do Marduque. Classificação 4º Lugar. Desmotivada e injustiçada  a Ilha do Marduque  se absteve  de participar do carnaval de 1988. Enredo e alegorias por Daniel Fanti. Figurinista Henrique Machado Azambuja. Samba-Enredo de Sergio Matias de Abreu e Jurandir Abreu.


1987 a 1988

COLEGIADO

FERNANDO SILVA

DANIEL FANTI

FRANCISCO RENATO RODRIGUES

ROSALINO BUENOS FRUCTOS

RAMÃO EDIVALDO ARAUJO DA SILVA

 

Carnaval de 1988- Dizia os jornais: “Ausência sentida da ilha do Marduque na Avenida “, muitos integrantes foram para outras escolas, estas por sua vez, vinham negociar com a Ilha no empréstimo de instrumentos. Os carnavalescos natos da Ilha, sem perder a postura, organizaram o “Bloco Bafo de Onça “, bloco do “Porre” se resguardaram aguardando a volta de sua azul e branco


1988 a 1989

 

FERNANDO SILVA –Presidente de Honra    

FRANCISCO RENATO RODRIGUES- Presidente. Administrativo

CLAUDEMAR CÃNCIO RODRIGUES- Vice-Pres. Administrativo

JOÃO BERNARDINO GARCIA- Vice Pres. Carnaval

DANIEL FANTI                             Vice Pres. Alegorias

HENRIQUE MACHADO AZAMBUJA- Vice-Pres.Fantasias

 

1989- Volta à avenida a Ilha do Marduque brilhantemente com o enredo “AOS CEM ANOS DA REPÚBLICA “ contando a queda da Monarquia no Brasil e o nascimento da República, cujo evento comemorava-se o centenário. Acredita-se que novamente a Escola torna-se a pioneira, no uso de outras cores conforme prega o enredo. Usou-se abusou-se  do verde, amarelo, azul e branco. Era tradicional o uso exclusivamente das cores das agremiações. Os carros são confeccionados num galpão de arroz, na rua Joaquim Murtinho. A diretoria reforça todas as “carretas “ e aumenta a proporção de largura e comprimento da estrutura. Ao tirar os carros do galpão o portão torna-se pequeno, sem perda de tempo, para não atrasar o desfile, o presidente Francisco Renato, abre a parede sem a licença do dono. Enredo e alegorias de Daniel Fanti. Figurinista Henrique Machado Azambuja.Samba-Enredo. Knelmo Amado Alves e Anibal Fabricio de Albuquerque .Classificação 2º Lugar. É demolida o prédio da sede da rua Borges de Medeiros, nº 3117, por se encontrar ao nível das enchentes e abaixo do nível da rua. Começa-se a colocar aterros sucessivos no terreno com grande colaboração do Grupo Silvarroz. Os ensaios voltam para a esquina da rua Gen. Propício esquina 7 de Setembro. 1990- Devido a crise o carnaval decaiu, na Avenida houve o um desfile atípico, somente a Escola Deu Chucha na Zebra e alguns blocos participaram, denominado de o “Carnaval da Saudade “. As grandes escolas Os Rouxinóis e a Cova da Onça que inflacionaram os carnavais anteriores na apresentação de muito luxo, e muitos gastos, acabaram se exaurindo.


1990 a 1991

CLAUDEMAR CANCIO RODRIGUES : Presidente

DANIEL FANTI: Vice Pres. Executivo

O carnaval estava falido, não havia motivação. Na metade do ano de 1990, o presidente Claudemar Câncio Rodrigues, preocupado com seus problemas particulares, abandona a Escola. Daniel Fanti, propõe  ao Presidente Claudemar Câncio Rodrigues de assumir a Escola. E assim foi feito, Fanti recolhe o material da Escola e mais instrumentos da bateria, levando para uma peça na areeira Furhman. Por causa dos insistentes pedidos de empréstimos para animar jogos de futebol de várzea, o vice-Presidente José Newton Duarte Gomes, construiu uma peça de alvenaria nos fundos de sua casa, bairro São João e para lá foram transladados os instrumentos e outros materiais. AESU, Associação de Escolas de Samba de Uruguaiana sob a presidência de  Sidney Alves Martins já havia soçobrado ha algum tempo. Numa reunião na sede da Escola de Samba Unidos da Cova da Onça, um grupo de carnavalescos, preocupados com os destinos do carnaval, fundam a LIESU, Liga Independente de Escolas de Samba de Uruguaiana, com modelo de estatuto baseado na Liga do Rio de Janeiro. Daniel Fanti forma uma nova diretoria trazendo colegas da PMU, amigos e pessoas do bairro. Ficando assim constituída:

1991 a 1992

DANIEL FANTI-                                 Presidente

José Newton Duarte Gomes-                 Vice-Presidente

Ramão Edivaldo Araujo da Silva           1º- Secretário

Antonio Cleber Camargo                        2º Secretário

Hypólito Baratz Ribeiro                          1º tesoureiro

Janio Eider Gonçalves                             2º Tesoureiro

A lém do pessoal do bairro, veio somar-se á escola, o Vereador José Carlos Chaves e sua esposa Sonia Chaves e René Piccoli. A proposta desta Diretoria seria fazer um trabalho de reorganização numa política de congraçamento com a comunidade do bairro, trazendo de volta àqueles que por diversos motivos haviam se retirado da Escola. E assim se fez.

1991- Não houve carnaval de rua. A Escola de Samba Unidos da Ilha do Marduque promove o carnaval comunitário dentro do próprio bairro, denominado de o CARNAVAL NA ILHA, cuja modalidade foi pioneira em Uruguaiana. Tomando exemplo o bairro da COHAB II, Emílio Brandi junto com a Escola de Samba Império Serrano, também faz seu carnaval de bairro. No bairro Mascarenhas de Moraes, duas quadras da Gen. Propício, foram iluminadas por gambiarras, com palco, camarotes, barzinhos com o apoio irrestrito da Prefeitura Municipal. Houve participações de alguns blocos, concurso de fantasia avulsa ou em grupos, os integrantes da Escola participaram, assim como a bateria. Todo o bairro brincou entrelaçado, um verdadeiro carnaval popular de grande sucesso, sem que houvesse algum conflito. Foi um fato ímpar na história de Uruguaiana. Esse carnaval serviu de motivação para que a Ilha do Marduque se motivasse grandemente para o próximo evento.

O samba cantado foi: “Eu hoje, vou sair de porre, Não me socorre, vou ser feliz

      Vou andar de bar em bar, Levando a vida que eu sempre quis..."

1992- Volta o carnaval de rua, sendo o 1º carnaval organizado pela novíssima LIESU que nascia para resgatar os grandes carnavais das décadas de 60 e 70. Srta. Liliane Pinheiro Vogado, candidata da Escola, ganha o título de Musa Integração do Carnaval.                                

Ilha do Marduque com todo vapor apresenta o enredo “NO REINO DA UTOPIA “ classificando-se campeã pela 1ª vez no primeiro grupo. As fantasias de alas confeccionadas com morim branco pintado com corante PVC, o chapéu da bateria de cartão com penachos de capim cola de sorro tingido por anilina azul. O enredo satirizava o governo do Presidente Fernando Collor, enfocando a inflação assustadora e a violência que se generalizava. Depois do Abre-alas, o carro principal era o Dragão de duas cabeças, o “Infraviolen” aludindo os dois maiores males do país. O dragão foi revestido com plástico de calefação que o Banco do Brasil jogara no lixo. Após o carnaval o monstro alegórico foi queimado publicamente nas margens do rio Uruguai, próximo a Ponte Internacional. O fato atraiu uma multidão e foi filmado pela RBS, saindo no Jornal Nacional dizendo: “Uma escola de samba queima sua principal alegoria”. Era um protesto simbólico para que nunca mais o povo brasileiro  visse a ser devorado pela inflação e pela violência. As  escola concorrentes, embora com maior luxo se enciumaram, porque somente a Ilha saiu em circuito nacional pela televisão. A Escola completava seus 15 anos de existência. Num dos carros trazia uma referência a Sra. Jaci Maciel, mentora da Ilha do Marduque, mãe dos fundadores, que  deveria sair em cima de um carro, porém falecera antes. Os carros alegóricos foram confeccionados num enorme velho galpão, antiga serralharia, quase em frente ao terreno da Escola. por ter pouca altura, muitas das alegorias mais altas, se montavam em parte, finalizando o carro na véspera do desfile. Enredo e alegorias por Daniel Fanti com participação de figurinos para algumas alas. Figurinista Henrique Machado Azambuja. Samba-Enredo de Sid do Cavaco.(Sidnei Vaz Silveira )


1992 a 1993

CLAUDEMAR CÃNCIO RODRIGUES: Presidente 

José Newton Duarte Gomes –         : Vice Pres.

Daniel Fanti                         -           : Vice Pres.

Elder Câncio da Silva           -          : Vice Pres.

Muitos integrantes voltam para a Escola com animação total, inclusive Claudemar Câncio da Rodrigues e sua família, e todos da família Câncio. A casa velha, mais de 100 anos, na esquina onde se realizavam os ensaios, é cedida para ser a sede da Escola, de propriedade da família Arena e anteriormente fora a sede do E.C. Flamenguinho. Fernando Chaves, integrante da bateria, mantinha ali, um bar com mesa de caçapa e se encarregava de cuidar dos instrumentos. Nos fundos do pátio, e os Câncios, constróem um pequeno galpão rústico e organizam um piquete tradicionalista “O Aconchego dos Tauras “, onde se misturava samba, música nativa, churrascos regados a vinho e cerveja.

1993- PODERÁ SER ASSIM “ foi o enredo que deu o bi-campeonato para a Ilha do Marduque. Mostrava o mundo do futuro na Terra no ano 2.3000. A Ilha do Marduque causou impacto, sua Comissão de Frente formada por astronautas  caminhava, numa coreografia em câmara lenta como se andassem na lua. A direção e a coreografia idealizada pela Sra. Graça Azambuja.  Dentro de uma enorme bolha colorida, no  carro Abre-Alas, apresentava um casal nú, foi a sensação daquele carnaval.

s fantasias luxuosas e criativas criada pelo figurinista, de muitos anos, Henrique Machado Azambuja, contrastavam com as do carnaval anterior. Daniel Fanti, carnavalesco da Ilha do Marduque recebe troféu da LIESU, pelos serviços prestados ao carnaval de Uruguaiana. Dani Barcellos Fanti, candidata indicada pela Escola, ganha o título de “Miss Uruguaiana” daquele ano, realizado Ginásio Schimitão. Confecção dos carros no galpão velho, antiga serralharia. Enredo e alegorias por Daniel Fanti. Figurinista Henrique Machado Azambuja. Samba-Enredo de  Anadir Renato Camargo.(Ego)


1993 a 1994

CLAUDEMAR CÃNCIO RODRIGUES             : Presidente

Elder Câncio da Silva                        :Vice Presidente

José Newton Duarte Gomes               :Vice Presidente

Nilson Maciel de Almeida                    : Vice Presidente

A casa velha, é reformada em algumas peças e são construídos dois banheiros novos, masculino e feminino. Promoções aos domingos, venda de comida, churrascos e bingos com alegres rodas de samba, congregavam os carnavalescos e simpatizantes, com o objetivo de ganhar o tri-campeonato. A Escola de Samba permaneceu ali até fins de 1994. Ficando o velho prédio abandonado, o pessoal da comunidade foi delapidando o imóvel, tirando portas, janelas, madeirame, mármores, telhas, tijolo por tijolo e assim deixou de existir.

1994- Pela 1ª vez se faz concurso de enredo, ganhando o do figurinista Henrique Machado Azambuja- “DA ESTOPA AO AUGE DO BRILHO, que faz uma retrospectiva de todos os carnavais anteriores, desde o bloco da Vaca, conquistando a Escola o tri-campeonato consecutivo. Patrícia da Silva, através de concurso da LIESU, é consagrada “A Mais Bela Mulata”. Confecção dos carros alegóricos no galpão velho, antiga serralharia. É feito o inventário e partilha do terreno da Escola, nº 12  da quadra 3-Bis, recebendo a carta de Adjudicação pelo Dr. Juiz, Sergio Luiz Grassi Beck, em 26/12/1994. Este inventário foi realizado gratuitamente pelo Dr. Luiz Alberto Maia de Medeiros, simpatizante e integrantes da Escola, dos velhos carnavais. Alegorias por Daniel Fanti. Enredo e figurinos por Henrique Machado Azambuja. Samba-Enredo de Nelson Ibarra


1994 a 1995

HYPÓLITO BARATZ RIBEIRO       :Presidente

Daniel Fanti                                         :Vice Presidente

René Piccoli                                        :Vice Presidente

1995- A Escola é classificada em 4º lugar com o enredo “O UNIVERSO DAS CORES “ versando este enredo sobre o simbolismo e a psicologia das cores.

Perguntado ao presidente que ele achava do 4º lugar disse: “O 4º é melhor do que o 5º”.Daniel Fanti, além de ser o mentor dos enredos             que a Escola apresentava, era o alegorista e este ano assume a função figurinista por falta de quem o fizesse. De acordo com o tema as alas e fantasias se apresentaram em diferentes cores. Chamou a atenção do público o carro alegórico “Sombras da Noite” repleto de bruxas, caldeirão, espírito do mal e vampiro saindo do ataúde .No abre-alas aparecia o enorme Disco de Newton girando e tubos de todas as cores em anilina líquida. Cada ala representava uma cor do Arco-Íris e fantasias de destaques de diversas cores. Sendo o último carnaval realizado na Avenida Presidente Vargas. É homenageado Ayrton Senna, recentemente desaparecido, com uma ala vestindo blusa alusiva com cores roxa, lembrando a saudade. Também ao Sr. Nairo Ribeiro da Silva ex- Presidente falecido com uma frase no samba “ Violeta saudade de quem já partiu, ó partiu !”  Destaque deste enredo foi a Comissão de Frente  “As Vestais da Paz “  de belas jovens de vestidos longos, em ricos tecidos, saudavam o público com suas guirlandas, cuja ala foi ensaiada e coreografada por Dani Barcellos Fanti. Pela 1ª vez, a comissão de Frente foi só de mulheres. Atras do carro Abre-Alas vinha a 2ª Comissão de Frente, todas as  belas jovens em paeté azul. Confecção dos carros alegóricos no galpão da antiga serralharia. Enredo e alegorias por Daniel Fanti. Figurinos de alas por Daniel Fanti e de destaque Liliane Vogado. Samba-Enredo de Anadir Renato Camargo.( Ego)


1995

 

SILVIO RENATO PERALTA           : Presidente

Persio Omar Fagundes Couto             : Vice Presidente

Itamar José Cagol                                  : Vice Presidente

1996- Carnaval realizado na Av. Flores da Cunha. Enredo A SALAMACA DO JARAU, baseado na famosa lenda gauchesca, do livro de Simões Neto, Contos do Sul. Pesquisado por Silvio Renato Peralta e adaptado para o carnaval por Daniel Fanti. Com este tema inicia-se uma série de enredos ligados as coisas da terra. A Escola apresentou na Avenida, o mistério do sobrenatural, personagens místicos, índios, gaúchos, árabes e demônios. Pela 1ª no carnaval de Uruguaiana, é apresentando um carro alégórico em originalidade “Nação Tapuia”, confeccionado com bambús, madeira rústica, capim santa fé, lã e estopa, sendo aplaudido pelo público. Foi notável o carro da “Caravela dos Mouros” feito pelo Rosalino Lopes, o Bezão e Osvaldo Moreira Lopes, quase em tamanho natural.  A Ilha do Marduque até então nunca tinha conquistado um título de Rainha do Carnaval, no entanto neste ano, numa grandiosa festa na sede de Os Rouxinóis, é eleita sua candidata Srta. Emilene Ramos Moroso, 1ª princesa do carnaval a Srta. Lilian Bulling Couto, também da Ilha do Marduque. Inicia sobre o aterro os alicerces da futura sede da Escola com levantamento de paredes, tendo ajuda de muitos simpatizantes da Ilha. Confecção de carros alegóricos no galpão da antiga serralharia. Alegorista Daniel Fanti. Figurinos de Airton Roberto e Daniel Fanti. Enredo Silvio Renato Peralta. Samba-Enredo de Anibal Fabrício de Albuqurque. Daniel Fanti recebe da Comissão de carnaval da LIESU, o troféu de Melhor Alegorista do ano, cujo prêmio repassa por jus ao Sr. Rosalino Lopes, o Bezão, que mostrou sua arte com muita habilidade.


1996 a 1998

SILVIO RENATO PERALTA           : Presidente

Ernani Ruschel Filho                         :Vice-Presidente

1997- Na avenida Carnaval dos blocos, sem a participação das Escolas de Samba. Adotaram o slogan: A ALEGRIA VEM COM OS BLOCOS.

SILVIO RENATO PERALTA           : Presidente 1997 a 1998

Hernani Ruschel  Filho                       : Vice-Presidente

 Nesse ano a Escola de Samba  Unidos da Ilha do Marduque, com uma grande parcela de seus integrantes, unem-se à Escola de Samba “Unidos del Jatay” de Paso de Los Libres, abrilhantando o carnaval da Argentina. Em contrapartida esta escola se compromete no próximo carnaval brasileiro, complementar a bateria da Marduque  com seus instrumentos e integrantes e, assim aconteceu.

 No final de 1997 é escolhido o samba-enredo numa maior festa na Lancheria do Curió, de propriedade do empresário Hernani Ruschel Filho, localizada na rua 7 de Setembro esquina João Manoel. O encanto e alegria do samba contagia o empresário que acaba integrando a Escola de Samba.

1998 –O enredo com o estranho título “O QUE HÁ COM O ORIZA SATIVA “, tema ligado a cultura do arroz atrai a atenção dos arrozeiros que contribuem com a Escola. A Ilha do Marduque ganha o Tetra Campeonato, empatando com a escola de Samba os Rouxinóis, onde o desfile foi na Av. Flores da Cunha.  A escola abusou do uso da juta e arroz em casca, montando uma das maiores alas, da escola até o momento com 52 componentes, onde os diretores foram Rita Maidana e Maraglay Viçosa. A Avenida ficou forrada com arroz em casca que se jogava aos punhados sobre a multidão, o fato chamou atenção da jornalista Ana Amélia Lemos que  lascou um artigo enfocando no Correio do Povo  a problemática dos orizicultores no RGS. O enredo contava a história do cultivo do arroz desde a pré-história à agricultura moderna, trazendo as lendas de deuses gregos e a deusa da agricultura Démeter. Neste ano a LIESU restringe o número de carros alegóricos, somente o Abre-Alas. O herói grego Triptólemo, da lenda que ensinou os homens a plantar a mando da deusa, jogava a palha, panícula e o arroz em casca no público, de cima do Abre-Alas. Nos intervalos das alas apareciam painéis, sobre tripés, pintados ilustrando a história da orizicultura moderna. A Ilha do Marduque ganha o concurso de Rainha do Carnaval deste ano, na pessoa da sambista Carla Francisca Naziazeno. Entre 28 concorrentes do Rio Grande do Sul e do Uruguai, Carla Francisca, na cidade de Bagé, é consagrada a Rainha do Carnaval do Rio Grande do Sul.

Pela LIESU, a Ilha do Marduque recebeu os seguintes títulos: Melhor Escola de Samba; Melhor Comissão de Frente “Os Homens da Caverna “ Confecção de alegorias no pátio e galpão da areeira  Schneider.

Alegorias e enredo: Daniel Fanti, painéis Edmilson Camargo. Figurinos Airton Roberto e Daniel Fanti. Samba-Enredo: Fernando Chaves, Gaspar e Getúlio. Classificação: 1º lugar empatando com Os Rouxinóis.


1998 a 1999

SILVIO RENATO PERALTA             Presidente

João Oséias Salles                                :Vice-Presidente

Claudio Maidana                                  :Vice-Presidente

1º Secretária:                                           Ester Lopez

1999- Continuando com seus temas ligados as coisa da terra, a Ilha do Marduque apresentou o enredo “DE FIO EM FIO SE MATA O FRIO “ contando a história da da indústria a lã em Uruguaiana, que inicia seu desenvolvimento em decorrência da 1ª Guerra Mundial. O Laníficio, por intermédio do Sr. Vilson Dorneles, forneceu  com a matéria prima, a lã em abundância, para que a Escola usasse  e abusasse do material, tanto nas fantasias como nos carros alegóricos, nunca se viu nada igual nos carnavais. O carro Abre-Ala mostrava  uma enorme roca em movimento mas, o destaque foi para o carro do meio, “Os 4 Cavaleiros do Apocalipse “ e símbolos da guerra. É de se salientar na ala dos italianos ricamente apresentada, um italiano nato, estando de passagem pela cidade, com  muito orgulho desfilou nesta ala. Confeccção dos carros alegóricos no pátio e galpão da areeira Schneider.  Enredo: Daniel Fanti e Rogério Fogaça. Alegorias de Osvaldo Moreira Lopes, Rosalino Lopes, o Bezão  e Daniel Fanti. Figurinos de Rogério Fogaça. Samba-Enredo de Anadir Renato Camargo (Ego ) e Daniel da Ilha. Classificação: 2º Lugar.


1999 a 2000

ERNANI RUSCHEL                 :Presidente

Claudio Maidana                     : Vice Presidente

2000- Neste ano Hernani Rushel e Claudio Maidana, implantam na Escola os diretores das demais alas, visto que somente a ala de baiana tinha diretora Sra. Mary Barcellos Fanti. A atuação desses diretores viriam desafogar os encargos da Diretoria, pois se responsabilizariam no recrutamento de componentes, confecções das fantasias, ensaios e promoções para angariar fundos. Além de acompanhar a ala nos desfiles, se identificavam com  uniformes padronizados, com respectivos crachás, diferenciado dos da Diretoria. Como um dos últimos temas ligados a terra, resolveu-se apresentar o enredo “O MARCO MAJESTÁTICO DA SOCYALITE “  enfocando a história do 1º Clube social de Uruguaiana, o Clube Comercial freqüentado pela elite uruguaianense. Desde seu fundador Luiz Battinelli, às festas luxuosas e seus primeiros blocos carnavalescos do início do século XX. Pela  dupla de alegorista, Osvaldo Moreira Lopes e Rosalino Lopes (Bezão) destacou-se  a “a carruagem “, carro Vitória, muito usado em Uruguaiana como meio de transporte., desde o século XIX. De tão perfeita esta alegoria, junto com um cavalo (alegórico ) que  um dos jurados descontou ponto no quesito Alegoria, por achar que fosse verdadeira. Neste enredo a Escola homenageia  o mestre do repinique de muitos anos, com uma frase no samba: “Repinique lá no céu “ Guto, fora assassinado  há pouco tempo, e deixava uma lacuna na Bateria. Confecção dos carros alegóricos no galpão da antiga serralharia Enredo, Alegorias e fantasias de alas : Daniel Fanti. Fantasias de Destaques: Liliane Vogado. Samba-Enredo de Toto da Ilha.


2000 a 2001

SILVIO RENATO PERALTA            :Presidente

Claudio Maidana                              :Vice Presidente

Hernani Ruschel                                : Vice Presidente

Jesus Maciel                                      : Vice Presidente

2001 – Numa reunião da Diretoria, no Clube dos Retalhistas, Silvio Renato Peralta propôs que o enredo para  2001 fosse sobre os orixás. Por ser muitos os personagens e histórias bastante complexas, o grupo, resolveu que se fizesse somente sobre Yemanjá, que se relaciona com o rio e com as cores azul e branca  da Escola. Então o Tema enredo foi escolhido “YE MANJA, A DEUSA DO MAR E SEUS ENCANTOS “ contando a lenda do orixá feminino Yemanjá, divindade do panteão africano, Rainha das Águas. Naquele ano, em vista do carnavalesco Daniel  Fanti, ter se  afastado da Escola por motivo de estresse, os encargos carnavalescos passaram a ser feitos coletivamente pelos componentes da Diretoria e integrantes da Escola. Confecção dos carros alegóricos no galpão da antiga serralharia. Foi contratado para figurinista o jovem maranhense Rildson Miranda, o Guto, que ganhava 5,00 reais por fantasia desenhada. Neste ano os ensaios foram excepcionalmente na rua General Câmara, entre as ruas  Gal. Propicio e Borges de Medeiros. A história peculiar do consagrado e  conhecido cantor nativista uruguaianense  João de Almeida Neto na ilha do Marduque.Todos os anos vinha assistir o carnaval em Uruguaiana, porém neste ano, manifestava o desejo de cantar o samba nos Os Rouxinóis, porém notando que os puxadores já estavam ensaiados desistiu. Numa primeira noite de carnaval ouviu a Ilha cantar a primeira estrofe do samba,

                                                 “Alupo, alupo meu pai Bará

                                                 Abre  as portas do caminho,

                                                 E faz a Marduque brilhar.”

 Disse para seu companheiro ao lado- Quero cantar este samba ! foi um amor à primeira vista, logo foi apresentado ao presidente Silvio Renato Peralta e que lhe recebeu de braços abertos, ensaiou o samba e na segunda noite de apresentação da Escola, se apresentou na Avenida. Levava uma cartola na mão e dentro escondida a letra do samba. Foi uma atração na Avenida pelo ineditismo de João de Almeida Neto “cair no samba “ com aquele vozeirão que todos conhece., adotou a Ilha do Marduque como sua escola preferida. Alegorias foram feitas coletivamente no velho galpão, de longos tempos, antiga serralharia,  quase frente o terreno da sede. Dois músicos de renomes ganham o concurso para o samba-enredo  Armando Vasques, compositor nativista da Califórnia e de muitos festivais do Rio Grande e o conceituado músico, instrumentista e cantor Valdir Santana. Entre todos o sambas belos da Ilha do Marduque, este foi um dos mais belos até então. Pelo tema, pela letra e melodia, o público acompanhou a Escola na Avenida, quase em êxtase,  fazendo gestos de oração e lacrimejando em devoção a Yemanjá. “Oh!  Deusa das águas, da licença

                                                                que a Ilha quer passar

                                                                 saudando o novo milênio

                                                                 na fé de seus Orixás.

Assume a direção da alas de baianas a Sra. Rosália Guerra Collazzo, em lugar de D. Mary Barcellos Fanti. Além das belíssimas fantasias apresentadas e carros alegóricos o ponto alto foi a impressionante  Comissão de Frente “ Mensageiros dos Orixás “ todos jovens e negros, cabeças raspadas com capas vermelhas, numa coreografia mística, coordenada por Toninho do Xapanã /Rafael.


2001 A 2002

CLAUDIO MAIDANA-               Presidente

Em 15 de março de 2001 reuniu-se a atual diretoria da Ilha do Marduque, na casa do Sr.Pierre, onde seria escolhida a nova diretoria para a gestão 2001-2002, ficou estabelecido por unanimidade que o Sr.”Claudio” Maidana, então vice-presidente do Sr. Ernani Rushel  seria o novo presidente da Escola. “Claudio ‘ Maidana, optou por montar uma diretoria a nível de colegiado, composta por 4 pessoas de sua confiança, pois seria um ano para entrar na história da escola, pois a entidade estava completando 25 anos de fundação.

A Diretoria ficou assim constituída:

“CLAUDIO” MAIDANA                               : Presidente

Ernani Ruschel                                            :Vice-Presidente

Claudemar Cancio Rodrigues                   :Vice-Presidente

Elder Cancio da Silva                                 :Vice-Presidente

Eider Cancio da Silva                                 :Vice-Presidente

Figurinista: Rildson Miranda (Guto)

Mestre de Bateria :João Batista e Lelo

Diretor Geral de Alas Rita Maidana

Diretor da Ala das Baianas: Dalmo Collazzo

Responsável pela Comissão de Frente: Eider e Ana

2002 e 2003 - Mestre-Sala e Porta Bandeira: Fabinha e Betinho

2002 - Rainha: Vanessa Conte

2003 – Rainha: Barbara Bernardo

2003 – Madrinha Bateria: Carla Naziazeno

“Cláudio “ Maidana, como todos os presidentes anteriores ansiava pelo término da construção da sede social,  e em meio aos diversos problemas que a entidade enfrentava, nomeia seu amigo de confiança o Sr. Elder Cancio da Silva (o Bola)  como diretor de patrimônio,   para dar continuidade a tão sonhada sede social que se encontrava, com muitas erosões, sem paredes e com toda sua estrutura comprometida.

Neste ano 2002, para o desfile, foi escolhido o tema enredo “LUA, A DAMA DA NOITE NO JUBILEU DE PRATA “, em comemoração aos 25 anos da Escola Ilha do Marduque., composição de autoria Armando Vasques e Valdir Santana.

Foi um dos anos que marcaram a escola, pois, por decisão do presidente “ Claudio “ Maidana, os ensaios deveriam se realizar na própria  sede social, que aos poucos tomava forma, pelo trabalho árduo do Sr. Elder Câncio da Silva, o Bola e sua equipe e, com a ajuda de muitos amigos e simpatizantes, que contribuíam com materiais de construção. À princípio, geraram muitas polemicas achando, alguns, que  público já se acostumara com os ensaios na esquina da rua Gen. Propício com 7 de Setembro, e que ninguém  iria compareceria naquele fundão. No entanto, prevaleceu essa decisão, os ensaios começaram, pela primeira vez, na frente da nova sede em construção. Daniel Fanti, perguntado que tema deveria ser para se comemorar 25 anos, jubileu de prata, respondeu que deveria ser algo referente  a lua que é prateada. De um escrito que fez  para um pressuposto enredo, em que as pessoas se reuniam ao ar livre para sambar, sob a luar de prata. A lua,  baixando a terra, em forma de uma bela mulher, viria curtir a roda de samba numa quente noite de verão, suavizada  pela brisa do rio Uruguai. Daí,  é que  o figurinista  Rildson Miranda, o Guto, descobriu uma lenda sobre a bela Febe, transformada  na lua por Zeus. Neste ano, sem patrocínios, mas com a ajuda de muitas pessoas que deram amor a Escola, trabalho, dedicação e o pouco que tinha, a escola conseguiu um 3º lugar com sabor de primeiro, pois era estampado nos rostos de seus integrantes a satisfação de desfilar em sua escola. Houve pessoas que tiraram paredes de suas casas próprias casas para contribuir com a sede e ajudar a Diretoria, demonstrando amor a sua escola. No ano subseqüente, com muitas dificuldades, as  obras para a sede social continuavam, a Diretoria comemorava a estrutura, da sede social, com solidez  e com as quatro paredes em seu apogeu, era clima de êxtase, já tínhamos uma sede, com dois banheiros, contra-piso e  com algumas tesouras metálicas, que sustentariam o teto.(Sendo que a 1ª tesoura no valor 250,00 foi doada pelo Sr. Zico Silva, a pedido de D. Mary Barcellos Fanti.Uma  enorme porta metálica de correr já se encontrava na parede frontal. A confecção de alegorias foi no antigo galpão da serralharia.


2002 a 2003

CLAUDIO MAIDANA                         :Presidente

José Miguel Vasques                       :Vice-Presidente

 Após o carnaval o Presidente ter  feito já  7 convocações e ninguém comparecido, convida toda Diretoria e amigos para um churrasco, onde no final do mesmo, desacorçoado, decide renunciar o cargo de presidente. Neste dia, como medida de apoio, criou-se uma comissão de mulheres para dar continuidade a gestão. Inicialmente compunha-se das seguintes pessoas:

Rita Maidana, Maragaly Viçosa, Arlete Pagani, Marcia Batista, Rosalia Colazzo, Sueli Saucedo, Laura Colazzo Silva, Ana Deitos, Rosangela.

Para o desfile de 2003, foi escolhido o tema enredo “NA ALQUIMIA DOS EGÍPCIOS, OS QUATRO ELEMENTOS”, o tema abordava a alquimia da terra, do ar, da água e do fogo no mistérios do antigo Egito. Compondo sua diretoria aos poucos  “Cláudio “ Maidana, convidou o Sr. José Miguel Vasques, para  ser seu vice-presidente. Depois de um ano de trabalho e de promoções, a Ilha do Marduque concorre na Passarela do Samba com o enredo proposto, classificando-se num 3º lugar. A qualidade e o entusiasmo dos componentes fez com que conquistasse os troféus de Melhor Samba-Enredo, Melhor Mestre-Sala e Melhor Porta-Bandeira. Figurinista  Rildson Miranda. Alegorias por grupos voluntários. Samba-Enredo de Armando Vasques e Valdir Santana. Os carros alegóricos confeccionados no galpão da antiga serralharia.

Cláudio Maidana, decidiu não concorrer a nova gestão, sucedida pelo Sr.Luiz Roli Duarte de Oliveira, pois estava satisfeito, não somente pelas colocações mas sim, por presenciar o quanto os integrantes fazem das cores de sua escola, um motivo de alegria e satisfação, e também por sua diretoria entregar ao seu sucessor uma Sede Social, quase acabada,  graças ao excelente trabalho do Sr.Elder Cancio da Silva e sua equipe.


2003 a 2005

LUIZ ROLI DUARTE DE OLIVEIRA                :Presidente   

Dalmo Collazzo                                                   :Vice-Presidente

Claudemar Câncio Rodrigues                          :Vice-Presidente

Elder Câncio da Silva                                        :Vice-Presidente

 Em 2003, convocando os ex-presidentes procede-se uma eleição, entre os dois candidatos:

Silvio Renato Peralta, ex-presidente de várias gestões e Luiz Roli Duarte de Oliveira, antigo baterista da Escola. Sagrando-se vencedor Luiz Roli, forma-se uma nova Diretoria (acima) que irá conduzir os destinos da Escola de Samba Unidos da Ilha do Marduque. A partir deste ano, pelo novo Estatuto, a gestões de diretoria passam a ser em biênios. A convite da Diretoria integram a Escola o casal Dr. Augusto Conte e sua esposa Carla Conte, vindos de Os Rouxinóis. Por eles são convidados inúmeros simpatizantes de fora do bairro, realizando desde bailes de carnaval como memoráveis jantares dançantes, com música mecânica e com conjuntos ao vivo. Na primeira semana após o carnaval, um Sábado à noite, o presidente Luiz Roli obsequiava os moradores do bairro, apresentando a Escola, sem os carros alegóricos, remontando o antigo ”Carnaval na Ilha “ de 1991.  Em abril de 2003, liderado por Daniel Fanti, no pequeno mato nos fundos da sede, realiza o 1º Camping da Escola de Samba Ilha do Marduque, acampando com seus familiares e outros integrantes da Escola, durante a Semana Santa. No ano seguinte da mesma forma, realiza o 2º Camping. Dr. Augusto Conte, sabendo das necessidades do pessoal carente do bairro, lança o projeto social  ILHA DA ESPERANÇA, com grande sucesso, partindo da instalação de consultório médico no antigo postinho da Brigada Militar em terreno da firma Schneider. Nos fundos da sede, próximo a várzea cria-se a o projeto de Horta Comunitária, durando por algum tempo, por falta e empenho da própria comunidade. Dia 26/01/2004 é realizado o 1º ensaio da Escola na nova quadra, a título precário, fundos da sede, com novo aterro e uma superficial camada de asfalto. Ali o público instalado em cadeiras e mesas sob luz de gambiarras e holofotes, assistia os ensaios, saboreando uma cerveja gelada. No dia 14/02/2004 é realizado o 1º baile na sede, com apresentação da bateria dos Bambas da Alegria, show de passistas e sambistas, Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Foram colocadas faixas na 1ª e 2ª Princesa do carnaval pela Rainha e a Garota Azul e Branco. Desfile de protótipos de fantasias de alas para o próximo carnaval. A sede encontrava-se ornamentada com máscaras, confetes e serpentinas.

Em 2004- a Escola de Samba com o enredo “NO SONHO DE MOMO, O ENCONTRO DA OITAVA MARAVILHA DO MUNDO “(O Carnaval ). Tema que enfoca as 7 maravilhas do mundo antigo, visualizadas num sonho do Deus Momo, que optou pela a 8ª maravilha que é o carnaval. Na euforia do carnavalesco Rildson Miranda, as estruturas das “carretas “ foram aumentadas nas dimensões do comprimento e da largura, consequentemente também a altura das alegorias. Na primeira noite de apresentação da Escola, quase todos os carros tiveram problemas para chegar a Passarela do Samba, danificados pelas árvores das ruas e pelos fios elétricos. Um dos mais bonitos carros, ”Os Jardins Suspensos da Babilônia com Farol da Alexandria “ ficou impedido na rua Vasco Alves, fantasias de destaque não se apresentaram também. Os incidentes atrasaram o desfile da Escola na Avenida, consequentemente perdeu vários pontos, sendo classificada em 5º lugar. Enredo e fantasias de Rildson Miranda. Alegorias confeccionadas por equipes diferentes. Samba- Enredo de Toto da Ilha, Josué, Pelé, Franco e Juliane.  Os carros alegóricos no antigo galpão da serralharia. No final de 2004, seu Ewerton Corrêa, dono do imóvel e do galpão da antiga serralharia, vende o madeirame e o galpão deixa de existir. Novamente, após o carnaval a diretoria brinda os moradores do bairro, com o “Carnaval na Ilha “ tornando-se uma tradição, para aqueles que não puderam aplaudir sua Escola na Avenida.         

Em 2004, a diretoria  envia a carnavalesca Rita Maidana acompanhada da Sr. Carla Conte ao Rio de Janeiro, afim de ir aos barracões das escolas e também para mandar confeccionar as fantasias do carnaval onde lá,  Rita Maidana e Carla Conte conheceram Vanderlei Novidade, compositor da Beija Flor, onde no mesmo ano, compôs um dos melhores samba enredo da história da Beija flor, e que a pedido das emissárias, fez o samba enredo para o Carnaval de 2004, “Agua preservar é viver”. Os carros alegóricos são confeccionados no Galpão do Sr. Pedro Panzieira, onde há 21 ( 1983 ) anos atrás a Escola teria ocupado para fazer seus carros alegóricos E neste carnaval de 2004, Rita Maidana ganha o troféu de melhor carnavalesca. A nova Diretoria trabalhou para o carnaval e deu continuidade na obras da sede, colocando a cobertura, o piso de parquet/moisáico e dá inicio da cozinha e secretaria, como também a calçada de cimento na frente  do prédio e pintura do mesmo, com o letreiro do nome da Escola.

Esta Diretoria com apoio da comunidade e integrantes do bairro e vindos de fora realizam grandes promoções de shows e jantares dançantes com a sede sem super lotação. Partindo da idéia de um tema ecológico sobre a preservação da água contra a poluição e os fenômenos da natureza, é que Daniel Fanti, participando do concurso de enredos seu tema é o escolhido. No entanto, resolve a  Diretoria adaptar somente sobre água na sua preservação, ganhando o título de: “ÁGUA: PRESERVAR É VIVER “. Rita Maidana estuda o enredo e monta a escola, a mesma é revestida de sangue novo e se cobriu de luxo e originalidade para este grande carnaval fora de época, surpreendendo o público, não tendo nada a dever às consagradas Escolas de Samba, Os Rouxinóis, Cova da Onça e demais concorrentes. Os jurados  selecionados com os de Uruguaiana e de Porto Alegre, deram a Ilha do Marduque o 2º lugar, elogiando o samba como o mais belo samba do carnaval brasileiro. As fantasias de alas foram confeccionadas no Rio de Janeiro. Porta-Bandeira e Mestre-Sala contratados da Escola de Samba Caprichosos de Pilares do Rio. Um puxador de samba do Rio, complementado com a prata da casa. Figurinista Fábio Silveira. Samba-Enredo de Vanderlei Novidade e Ciça do Cavaco do Rio de Janeiro, e Rita Maidana em 2005 é premiada como a melhor carnavalesca de Uruguaiana, batendo grandes e renomados nomes como Jaime Cezário.


2005 a 2007

Dr. Augusto Conte               :Presidente   

Claudio Maidana                       :Vice-Presidente

Elder Câncio da Silva                :Vice-Presidente

Francisco Brum                         :Vice-Presidente

 

Breve:..............

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